segunda-feira, 22 de março de 2010

A Lagarta e Alice olharam-se uma para outra por algum tempo em silêncio: por fim, a Lagarta tirou o narguilé da boca, e dirigiu-se à menina com uma voz lânguida, sonolenta.
“Quem é você?”, perguntou a Lagarta.
Não era uma maneira encorajadora de iniciar uma conversa. Alice retrucou, bastante timidamente: “Eu — eu não sei muito bem, Senhora, no presente momento — pelo menos eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado muitas vezes desde então.
“O que você quer dizer com isso?”, perguntou a Lagarta severamente. “Explique-se!”
“Eu não posso explicar-me, eu receio, Senhora”, respondeu Alice, “porque eu não sou eu mesma, vê?”
“Eu não vejo”, retomou a Lagarta.
“Eu receio que não posso colocar isso mais claramente”, Alice replicou bem polidamente, “porque eu mesma não consigo entender, para começo de conversa, e ter tantos tamanhos diferentes em um dia é muito confuso.”
“Não é”, discordou a Lagarta.
“Bem, talvez você não ache isso ainda”, Alice afirmou, “mas quando você transformar-se em uma crisálida — você irá algum dia, sabe — e então depois disso em uma borboleta, eu acredito que você irá sentir-se um pouco estranha, não irá?”
“Nem um pouco”, disse a Lagarta.
“Bem, talvez seus sentimentos possam ser diferentes”, finalizou Alice, “tudo o que eu sei é: é muito estranho para mim.”
“Você!”, disse a Lagarta desdenhosamente. “Quem é você?”
O que as trouxe novamente para o início da conversação. Alice sentia-se um pouco irritada com a Lagarta fazendo tão pequenas observações e, empertigando-se, disse bem gravemente: “Eu acho que você deveria me dizer quem você é primeiro.”
“Por quê?”, perguntou a Lagarta.
Aqui estava outra questão enigmática, e, como Alice não conseguia pensar nenhuma boa razão, e a Lagarta parecia estar muito chateada, a menina despediu-se.
“Volte”, a Lagarta chamou por ela. “Eu tenho algo importante para dizer!”
Isso soava promissor, certamente. Alice virou-se e voltou.
“Mantenha a calma”, disse a Lagarta.
“Isso é tudo?”, retrucou Alice,engolindo sua raiva o quanto pôde.

terça-feira, 9 de março de 2010

!

Decidi, um pouco antes de dormir, que de amanhã não passava.
Há muito tempo que eu vinha adiando...
Mas amanhã, tudo ia mudar.
Comecei a lembrar daquela lista que eu tinha feito
e não consegui esperar o sol nascer.
Com uma euforia inexplicável, pé por pé naquele piso gelado,
fui aos poucos recolhendo o essencial.
ERA HOJE!
Foi difícil conter o riso de ansiedade,
mas consegui não acordar ninguém.
Com meus óculos escuros, alguns livros, chocolate e
um cobertor, finalmente saí.
Impressionante como naquele exato minuto, tudo mudou.
De cara me senti diferente.
Olhei praquela casa atrás de mim e não senti nada.
Agora, sem lembranças, eu tava pronta!

sábado, 6 de março de 2010

Hoje, parada aqui, tô vendo um filme repetido.
O Tássio não tá mais aqui na frente pra nos contar dos roubos e acidentes em banheiro, e eu não sei o por que. Será que ele foi demitido, ou tá
naquele ponto ruim lá no nacional,
onde dá pra dormir nos papelões ?
Não sei.
Daqui a pouco, tenho certeza, aquele velho cadeirante com cara de tarado vai parar na frente da loja cara de camisas. Só não sei se vai estar com a rapariga loira, ou com a morena...
Aquela senhora com spray no cabelo vai passar, olhar, falar da filha, e seguir.
Na hora do almoço, quando vou sentar naquelas mesinhas escondidas, já sei que vou encontrar o casal de idosos que senta sempre no mesmo lugar (que era meu, antes de eu saber que era deles), vão pedir o mesmo prato:
ela carne, ele frango. Com uma taça de vinho branco, ao som de um radinho de pilha, provavelmente na Gaúcha.
Quando eu voltar, minha estrela do meio-dia vai estar me esperando pra contar as novidades, e dividir os mesmos rotineiros detalhes do nosso cotidiano.
Que, de vez em quando, nos surpreende com uma criança quase adulta falando "Ele destruiu até a caminha que a gente ainda nem pagou!", ou com um agradecimento pelo atendimento...
Até que, ao fim do dia (ou no meio dele, no caso de uma doce surpresa com gosto de Mc Donald's) nossos amados cheguem - de ônibus, e não no cavalo branco - pra nos tirar dessa monotonia e nos levar de volta para nosso Tão, Tão Distante :)