sábado, 20 de novembro de 2010

Querida surpresa

Sexta-feira, sempre a mesma coisa.
17:59 e... LIVRE!
"Não, ainda tem aula."
A única coisa que essa sexta-feira teve de atípica foi que eu me revoltei com ela.
Não aconteceu nenhuma tragédia, nada fora do comum.
Eu tava cansada da semana e me mandaram um e-mail inofensivo, quase um toque - mas, naquela sexta-feira, as 17:30, aquele e-mail foi a gota d'água.
Saí correndo, pra variar.
"Tenho que pegar o trem."
Pra quem nunca pegou o trem das 18:20 eu explico: não importa se é grávida, velho, se não tem uma perna...
É uma selva. Não duvido que algum dia dê merda... As pessoas perdem os escrúpulos por um lugar pra sentar.
Ainda mais na sexta-feita.
Era semana de Feira do Livro. Sinceramente, depois que eu comecei a "ter" que passar por ela todo o dia, perdeu a graça.
Passei correndo no meio da feira pra cortar caminho e achei um espaço que, se não me engano, se chamava "Nossa Porto Alegre" ou "Querida Porto Alegre"... Não sei. Eu tava correndo e minha memória é uma merda.
A questão é que eu, não sei por que, resolvi parar.
Era uma parede cheia de bilhetinhos de pessoas que passaram por ali.
Achei que ia encontrar só palhaçada escolar, tipo "Fulano 100% alguma-coisa-idiota" (acho que tô ficando velha...).
Enfim, não era nada disso (claro).
A maioria das mensagens falava de preservação ambiental, política...
Tinha o clichê de uma guriazinha de 7 anos "Cuide da nossa cidade, não jogue lixo na rua".
Tão bonitinha a letra da guria... Não precisava o idiota do pai mandar a guria assinar "Fulana, 7 anos."
Ia ser fofo de qualquer jeito.
Viu ? Quando eu digo que sou chata é verdade.
No meio daquele monte papelzinho colorido, encontrei uma letra conhecida.
Nem precisei ver a assinatura, a frase era a cara da pessoa.
Não, eu não lembro qual era a frase!

Eu fiquei tão feliz de ter encontrado aquilo... Como se fosse um tesouro perdido, sei lá.
Pode parecer idiota, mas fazer o que, senti mesmo.
"Vou me atrasar pra aula..."
No reflexo de sair correndo, vi uma barraca de prova daqueles sucos AdeS, de soja.
Mesmo sabendo que o troço é horroroso, eu fui e bebi.
Botei metade fora.
No lixo.
Quando encontrei o lixo,  ouvi na barraca de Concertos Zaffari uma "orquestra" de 5 pessoas tocando "She Loves You".
Parei pra ouvir, claro!
Adorei não só a música, mas as pessoas que, na correria e no cansaço de uma sexta-feira, pararam pra ouvir e dançar no meio da rua.

Depois a vida seguiu seu curso natural. Cheguei na aula e contei:
"Encontrei um bilhetinho adivinha de quem?"
Chute, chute, chute. Não acertou.
"Da Mariiii!" - quase saltitante.
Em meio a risos debochados:
"E tu ficou tri faceira, né ?"

Hehe. Nada como alguém conhecer a gente ^^