domingo, 12 de julho de 2009

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"Tudo quanto na vida eu tiver,
Tudo quanto de bom eu fizer,
Será de nós dois,
Será de nós dois.

Uma casa num alto qualquer,
Com um jardim e um pomar se couber,
Será de nós dois,
Será de nós dois.

E depois, quando a gente quiser,
Passear, ir pra onde entender,
Não importa onde a gente estiver,
Estaremos a sós.

E depois quando a gente voltar,
O menino que a gente encontrar,
Será de nós dois,
Será de nós dois.

E de noite quando ele dormir,
O silêncio do tempo a fugir,
Será de nós dois,
Será de nós dois.

E por fim, quando quando o tempo fugir,
E a saudade nos der de nós dois,
E a vontade vier de dormir,
Sem ter mais depois.

Dormiremos sem medo nenhum,
Pois aonde puder dormir um,
Podem dormir dois,
Podem dormir dois,
Podem dormir dois."


Vinícius de Moraes, Canção de Nós Dois.

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Como é difícil lidar com as palavras!
Como traduzir o arrepio causado pela leve respiração no ouvido ?
Como transformar em letras a sensação de ser tocado não só na pele,
mas na alma ?
Como se fazer entender quando o mais íntimo dos sentimentos nos torna mais do que somente gente ?
Quando a razão foge, quando a única coisa capaz de nos guiar
é o instinto...
Os mais obscuros desejos unidos num único momento de completa harmonia e paz.
Quando não há o pensar, apenas o existir.
Como se a vida só fisesse sentido por estarmos ali.
O único instante em que tudo some, só o que permanece é a essência;
praticamente só o espírito...
O único instante em que somos somente nós.
Sem máscara, sem pensamentos, sem preocupações...
Somente nós. Na mais pura das verdades.
Unidos à mesma alma, aos mesmos reflexos, ao mesmo corpo,
à mesma batida.
Ao tocar, sentir, beijar, ouvir...
Amar já parece pouco.

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- Muito bem... essa é a aula de Estudos Sociais, que engloba vocês e o mundo.
Sim, há um mundo lá fora, e mesmo que não queiram enfrentá-lo, vocês vão senti-lo como um tapa na cara. Podem acreditar.
Então é melhor começar a pensar no que ele significa pra vocês agora.
O que o mundo significa pra vocês ?
Vamos lá, quero que participem!
É só dessa classe que querem fugir ?
De suas casas, ou de suas ruas ?
Ou alguém quer ir mais longe ?

- Quero ir ao shopping! Fica a 3 km da minha casa.

- Bom, vou fazer outra pergunta: vocês pensam sobre coisas que acontecem fora dessa cidade ? Assistem ao noticiário ? Sim ? Não ?
Então ainda não são pensadores globais, mas por que não ?

- Porque temos onze anos.

- Bem pensado! Qual o seu nome ?

- Trevor.

- Talvez Trevor tenha razão. Para quê pensar no mundo ?
O que o mundo quer de nós ?
De você! O que o mundo quer de você ?

- Nada.

- Nada ? Meninos e meninas, ele tem toda razão. Nada.
Vocês não podem dirigir, votar e nem ir ao banheiro sem minha permissão.
Estão presos, bem aqui, na sétima série. Mas não é pra sempre...
Um dia vocês serão livres! Mas e se quando forem livres não estiverem preparados,
prontos e, ao olharem para o mundo, não gostarem do que vêem ?
E se o mundo for uma grande decepção ?

- Estaremos ferrados.

- A não ser que peguem aquilo de que não gostam nesse mundo e deixem tudo de bunda pra cima! Podem começar isso já!



-A Corrente do Bem-

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Tantas palavras, tantas melodias
Mas nada que descreva esse calafrio.
Alguns chegam perto, mas nunca na mesma proporção.
Aquela estranha sensação de não saber o que habita.
Foge a superfície - como de praxe.
Mas o verdadeiro espelho continua -
mesmo que com a imagem distorcida - revelando o mesmo reflexo antigo.
Cansado, quase sem vida...
Os lábios arroxados, a pele pálida...
O restante que cobre nunca dura muito tempo:
o cabelo agora escuro, as roupas já não são as mesmas...
Surge a esperança!
Mas quando a euforia passa, é o mesmo rosto morto e sem marcas que vejo.
Sem o contraste das mentiras do pôr-do-sol.
A chuva que devia lavar, levar, agora nada mais provoca.
Nada mais parece ter tido importância alguma...
As cicatrizes e as rugas sumiram...
Por mais que se procure vestígios, só há o tempo perdido.
Uma lágrima caiu, no desespero de nunca encontrar o que esperava ao se encarar...
Deu as costas ao velho reflexo...
Abandonou tudo e foi atrás do que nunca conseguira diante do maldito espelho.
E então, os lábios arroxados assumiram um tom alaranjado...
A pele pálida agora era rosada...
E algo totalmente novo, inesperado...
O brilho nos olhos!
Que transformou sua infinita espera em uma busca...
Pelo quê, já não importa...
O que importa é a viagem, não o destino!

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Eu reconheço os seus olhos no sol da manhã
Eu sinto você me tocando na chuva caindo
E no momento em que você vagueia para longe de mim
Quero te sentir em meus braços novamente

E você vem a mim numa brisa de verão
Me deixa aquecido no seu amor e então vai embora delicadamente
E é para mim que você precisa mostrar
O quão profundo é o seu amor

É seu amor, quão profundo é o seu amor?
Eu realmente preciso aprender
Porque estamos vivendo em um mundo de tolos
Nos magoando
Quando todos eles deveriam nos deixar ser
Nós pertencemos a você e a mim

Eu acredito em você,
você conhece a porta para minha alma,
você é minha luz nas horas de profunda escuridão,
você é minha salvação quando eu caio.

E você pode pensar que eu não me importo com você,
quando você sabe que lá dentro eu realmente me importo,
e é pra mim que você deve mostrar o quanto é pronfundo o seu amor.



How Deep Is Your Love - Bee Gees

domingo, 5 de julho de 2009

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Pode ser o frio, a gripe...
Mas o melhor candidato a culpado é o cansaço.
O cansaço que a gente inventa.
Aquele que serve de pretexto.
Fui estúpida: "Ai, desculpa, o cansaço me deixa assim..."
Não quero ir: "Putz, se fosse outro dia...mas hoje tô tão cansada..."
Cansada de quê ?
O cansaço físico é passageiro e o único recompensante.
Por conseguinte, o menos decorrente.
Cansada de quê ?
De gente.
Cada dia mais eu quero menos gente.
Cada dia mais eu tenho menos gente.
Cada dia mais me sinto menos gente.
O verdadeiro culpado não é o cansaço.
O coitado é só um pretexto.
E eu tô tão cansada disso,
que nem ele mais me agrada.

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"Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir..."


Chico Buarque - Eu te amo

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"Tchau, Dudinha! Te amo, viu ?!"
"Tchau, dinda..." (sorriso amarelo!)

Os diálogos de despedida entre minha afilhada e eu eram assim...
Um dia, no meio de um passeio...
- Eu te amo, sabia ?
- Aham...
- O quê que é amor, Duda ?
- ...
- Tu não sabe ?
- ... (dessa vez, com batida de ombros!)

Fiquei meio horrorizada, levei um choque.
Alguns minutos de silêncio foram o suficiente pra me deixar perplexa.
"Como é que uma criança não sabe o que é amor ?"
E logo em seguida "Por que eu espero que ela saiba o que é amor ?"
Fiquei entre explicar pra guria o que era esse tal amor que eu sentia por ela, e se eu realmente sabia o que ele era, a ponto de explicar.
"Tem vários tipos... de amigo, de irmão, de pai, de mãe, de homem-mulher..."
Não, não! Definitivamente não! Isso não explica nada! Só complica...
Fiquei pensando, pensando...
Não consegui chegar a lugar nenhum... - metaforicamente, pois já estávamos na esquina de casa ^^.
Foi então, que, olhando pra guria, que não me tirava os olhos de curiosidade,
olhei pro céu e disse :
- Tu gosta de mim ?
- Sim!
- Muito, muito, muito ?
- Aham.
- Então, amor é quando a gente gosta de alguém do tamanho do céu! Sabe o tamanho do céu ?
- ...

sábado, 4 de julho de 2009

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Ser fiel a si mesmo é a tarefa mais árdua do ser humano.
Ser fiel aos princípios, à imagem, aos interesses...
Me pergunto se essa é uma batalha que realmente vale a pena.
Limitar-se a ser sempre a mesma pessoa,
vestir sempre as mesmas roupas,
ouvir sempre a mesma música...
Quando as pessoas começarem a se conhecer na essência,
perceberão que de nada valem essas tentativas de tornar-se sólido.

"Sei como é importante na vida não necessariamente ser forte,
mas sentir-se forte.
Confrontar-se ao menos uma vez.
Achar-se ao menos uma vez na mais antiga condição humana.
Enfrentar a pedra surda e cega a sós sem outra ajuda além das próprias mãos e cabeça"


Essa tentativa de manter um caráter sólido tentando se provar a "terceiros"
acaba sendo o maior empecilho de quem quer realmente se conhecer.
Esse é um duelo nosso conosco.
Quanto mais envolvermos coisas ou pessoas, mais difícil se tornará.

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"Há um tal prazer nos bosques inexplorados,
Há uma tal beleza na solitária praia,
Há uma sociedade que ninguém invade
Perto do mar profundo e da música do seu bramir
Não que ame menos o homem
Mas amo mais a Natureza"

Lord Byron

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"Cumpriu sua sentença e encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo
o que é vivo morre."

Chicó em "O Auto da Compadecida".

1


É realmente complicado.
Ninguém sente igual,
ninguém cala igual.
Um dia claro, e nada.
Um dia escuro, e nada.
É como se acontecesse,
e ninguém percebesse.
Pode parecer estranho,
mas eu digo que é essencial.
Pra uns é diferente,
pra outros banal.
Que quer que seja,
é realmente complicado.
Ninguém acha normal,
ninguém age como tal.