Tantas palavras, tantas melodias
Mas nada que descreva esse calafrio.
Alguns chegam perto, mas nunca na mesma proporção.
Aquela estranha sensação de não saber o que habita.
Foge a superfície - como de praxe.
Mas o verdadeiro espelho continua -
mesmo que com a imagem distorcida - revelando o mesmo reflexo antigo.
Cansado, quase sem vida...
Os lábios arroxados, a pele pálida...
O restante que cobre nunca dura muito tempo:
o cabelo agora escuro, as roupas já não são as mesmas...
Surge a esperança!
Mas quando a euforia passa, é o mesmo rosto morto e sem marcas que vejo.
Sem o contraste das mentiras do pôr-do-sol.
A chuva que devia lavar, levar, agora nada mais provoca.
Nada mais parece ter tido importância alguma...
As cicatrizes e as rugas sumiram...
Por mais que se procure vestígios, só há o tempo perdido.
Uma lágrima caiu, no desespero de nunca encontrar o que esperava ao se encarar...
Deu as costas ao velho reflexo...
Abandonou tudo e foi atrás do que nunca conseguira diante do maldito espelho.
E então, os lábios arroxados assumiram um tom alaranjado...
A pele pálida agora era rosada...
E algo totalmente novo, inesperado...
O brilho nos olhos!
Que transformou sua infinita espera em uma busca...
Pelo quê, já não importa...
O que importa é a viagem, não o destino!
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